segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Crônica vegetariana

Fim de almoço... Conversa vai, conversa vem e, entre um papo e outro, a pessoa que me acompanha pergunta por que não pedi o prato do dia (um boi no rolete básico, que ele comeu inteiro e que estava maravilhoso).

Eu, delicadamente, respondo que sou vegetariana.

Meu doce amigo (diabético, vale lembrar) sem se dar conta de que acabo de comer um sofisticado raviolli de purê de abóbora e nozes, refogado com aspargos ao pesto, ainda me bombardeia com a tradicional pergunta: “Mas como você vive apenas com salada todos os dias?”

 
Neste exato momento, desesperada, penso: “Putz grila, será que acidentalmente falei que sou um coelho???”

Cenas como esta acontecem com muito mais frequência do que eu gostaria vocês pensam. Não me incomodam, embora ainda me surpreenda com a falta de conhecimento a respeito.
 
Eu nasci vegetariana e me amo ainda mais por isso. Vejam só, quase não fico doente, graças a uma alimentação balanceada e, enquanto o resto do mundo sofre para montar cardápios de dieta que sejam gostosos e que consigam manter por mais de uma semana, fazer dieta para mim se resume a cortar doces apenas. Ah, além de tudo, enquanto mantenho uma cara de paisagem e um risinho amarelo, dou uma gargalhada interna altíssima toda vez que falo a alguém pela primeira vez “sou vegetariana” e a pessoa responde o clássico “Então, você come churrasco de alface?” (seguem-se risos descontrolados). O que eles não sabem é que essa é a MESMA e ÚNICA piada que TODAS as pessoas pensam em falar...e isso me diverte.
 
Em contrapartida, nem tudo são vantagens. Nasci vegetariana e isso, às vezes, é uma droga porque tenho que ler TODOS os cardápios de TODOS os restaurantes na base da eliminação até achar (num dia de sorte) três opções adequadas, no máximo. Também, em pleno século XXI, muitos restaurantes não oferecem NENHUMA alternativa vegetariana e ainda cismam em contaminar as saladas com: atum, camarão, lula, frango, pé de galinha...Outro problema é que, durante toda a vida, tive que entrar nos rateios de churrascos da galera e comer apenas pão, salada e vinagrete. Além de jantar em casa antes de ir a um casamento, pois nunca se sabe quando vai ter algo para mim. Pior é quando tem e já estou com a pança cheia...
 
Aparentemente, pode parecer para alguns que os inconvenientes sejam maiores, porém tudo é uma questão de perspectiva! Minha saúde, meu coração e meu humor agradecem diariamente!
 
Por último, quando alguém me convida para jantar em sua casa e falo (com a mesma rapidez que tiro um band-aid) “sou vegetariana”, é comum  a criatura arregalar os olhos num movimento brusco e novamente penso com meus botões: “Ai, Cassilda, agora acho que falei que sou um vampiro!!!”