segunda-feira, 9 de março de 2015

O caminho de Santiago de Compostela, Espanha

Diferentes rotas percorridas por várias nacionalidades com múltiplos propósitos em diversas épocas do ano e um só destino: a Catedral de Santiago de Compostela.  




















Vale ressaltar que eu não percorri o caminho de fato, apenas visitei a cidade de Santiago de Compostela (super recomendo - veja dicas aqui) onde aprendi um pouco sobre o assunto.

O caminho de Santiago de Compostela é uma rota medieval de peregrinação com mais de mil anos de história e 700 km de distância. Desde o século IX até a atualidade, são muitas as pessoas que se dispõem a fazer o trajeto, que termina na Catedral de Santiago.
Catedral de Santiago
É na Catedral que está localizado o túmulo do apóstolo Santiago Maior. Filho de Zebedeu e Salomé, e irmão mais velho do apóstolo João, a Bíblia também refere-se a este apóstolo de outras formas, dependendo do idioma, como Jacob, Jacobo, Iago, Yago, Tiago, Xacobe, Jaime, Jaume, Jakob, Jacques, Giacomo, James, dentre outras. A variante Santiago surgiu como evolução da composição Sanctus Iacobus
Escadas para o túmulo do apóstolo Santiago
Túmulo do apóstolo Santiago

Não existe um ponto "oficial" de partida para o caminho, embora existam muitas rotas pré definidas desde a Idade Média e atualmente, grande parte do percurso está sinalizado com setas amarelas. Dentre as rotas conhecidas, destacam-se:
  • Caminhos Franceses: Rota Navarra que começa em Saint-Jean-Pied-de-Port ou Roncesvalles, próximas a fronteira França/Espanha e Rota Aragonesa que parte de Somport. Os trajetos se encontram pouco depois já na cidade espanhola Puente la Reina.
  • Caminho da Prata: começa em Sevilha, na Espanha.
  • Caminho Primitivo: parte de Oviedo,Espanha.
  • Caminhos Portugueses: com saídas a partir de Lisboa e Porto.
Catedral de Santiago vista do Parque da Alameda
São diversos os motivos que levam uma pessoa a percorrer o tal caminho e não se restringem apenas a religião. Com o passar dos anos, o caminho virou sinônimo de busca espiritual, auto descoberta, busca pela Salvação, superação de desafios, fazer turismo barato,  questões ligadas à saúde, apreciação cultural e muito mais. Não é a toa que, em 1987, o Caminho foi declarado o Primeiro Itinerário Cultural Europeu.
 
Os peregrinos são recebidos na Catedral com a missa dos peregrinos (12h). 
Botafumeiro: incensário situado dentro da Catedral.
Associado a purificação espiritual dos peregrinos
Botafumeiro em ação na missa dos peregrinos
Para afirmar ter feito o caminho, o peregrino deve ter percorrido pelo menos 100 km a pé ou a cavalo ou 200 km de bicicleta. No final da experiência, é possível obter um certificado chamado "Compostela", mas para isso é necessário partir de casa com um documento conhecido como credencial do peregrino - que nada mais é do que uma caderneta fornecida pela Associação de Peregrinação da diocese de origem ou pela paróquia. Ao longo do caminho, os peregrinos carimbam essa caderneta nos albergues para provar que percorreram as etapas.
Interior da Catedral
O símbolo mais importante para os peregrinos é a concha de vieira. A ela estão associados diversos significados. Os práticos dizem que a concha servia para beber água das fontes ou servir como tigela de comida. Os céticos dizem que a relevância da concha está atrelada a vontade dos peregrinos de levarem para casa uma recordação do trajeto. Os históricos contam que os discípulos de Santiago levaram seu corpo de barco até a Península Ibérica para que fosse enterrado onde hoje é Santiago de Compostela, no entanto o corpo caiu ao mar após uma tempestade e depois de um tempo apareceu na costa coberto de vieiras. E os metafóricos falam que os sulcos da concha, que se juntam em um só ponto, representam as várias rotas usadas para chegar ao mesmo destino final. Ou ainda que da mesma forma que as ondas arrastam as conchas de vieira para a costa da Galícia, a mão de Deus guia os peregrinos até Santiago de Compostela.


Se você pensa em percorrer o famoso caminho, veja as dicas dos sites abaixo: